Nesse período de alegria que presenciamos vendo transbordando
em nosso povo vivendo mais um período de Carnaval, fico imaginando se essa
alegria demonstra felicidade. Chego à conclusão que não, são apenas momentos de
aglomerações heterogenias, de muita música, muita bebida e de muita alegria que
contagia as pessoas e as fazem esquecer todas as dificuldades que estão
passando. Circo, apenas circo, para distrair o povo a esquecer das dificuldades
e as diferenças, como nos velhos impérios.
Sem sombra de dúvida, o Carnaval é um momento ímpar
de divisão de alegrias, de confraternização sadia, possibilidade inigualável de
agrupamento de pessoas, sem espaço para qualquer tipo de odiosa discriminação,
entretanto, também, momento único de maior incentivo à irresponsabilidade e à exposição aos mais diversos riscos.
Sem dúvida alguma, são momentos mágicos que
contagiam as pessoas e as tornam mais aptas a buscar as mais variadas soluções
para suas carências. A sensualidade das danças, a proximidades das pessoas, a
mistura de cheiros, cores e o “apagão” momentâneo das dificuldades pessoais,
criam um ambiente propício a “jogar para o alto” valores e crenças. Muitas
vezes resultam em alterações profundas, boas ou ruins, no futuro de muitas
pessoas. São momentos em que a razão deixa de preponderar e dá lugar ao viver
intensamente o momento e o presente, seja da maneira que for, sem a consciência
e preocupação das possíveis consequências.
Bem ou mal, o período de Carnaval inebria as
pessoas criando uma sensação de felicidade e de bem viver. Uma grande parte da
população se sente feliz, mesmo sabendo que a maior fantasia é a felicidade que
acreditam viver nesses momentos de grande confraternização. Amanhã, não existe,
só amanhã, mesmo sabendo que quando a realidade voltar às consciências, muitas
vezes elas terão de arcar pelo resto de suas vidas, as consequências desses
períodos de “felicidade”.
Nunca fui contra o Carnaval
e nunca serei, pois já curti muito, mas muito mesmo, entretanto sempre procurei
me manter dentro de um comportamento considerando a realidade de ontem, hoje e amanhã, não esquecendo nunca de
minhas responsabilidades com meus atos. Hoje, o que não concordo é com essa
apologia de incentivo a momentos onde tudo é permitido, deixando um pouco a
responsabilidade e a razão de lado, sem dar espaço a qualquer posterior sentimento de culpa ou preocupação com
as consequências. Não é justo e não é responsável, colocarmos em risco vidas sadias
por um momento de irresponsabilidade ou a mercê de irresponsabilidades, ou, até mesmo, incentivarmos que alguém o faça, só isso.
Apesar de grande retorno financeiro, nas cidades onde acontecem as grandes concentrações durante o Carnaval e apesar de toda a alegria que possa proporcionar, nesse início de 2016, com a crescente ameaça de uma epidemia mundial, com o avanço do temido vírus da Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e sua relação com os casos de microcefalia, somados a dengue e a febre chikungunya, preocupa de sobremaneira qualquer cidadão com um mínimo de responsabilidade. Nesse momento, todo o cuidado é pouco e deveriam ser evitadas de todas as maneiras, todas as possibilidades de aceleração da transmissão desse vírus, no Brasil e no mundo, para que não haja um arrependimento tardio e com consequências irreparáveis.
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