Depois de
ler e ouvir declarações de pessoas ligadas às gestões das federações, da direção de clubes brasileiros,
de técnicos e jogadores e de análises veiculadas pela imprensa, gostaria de escrever sobre minhas impressões sobre o que está acontecendo atualmente, de realmente certo, nos clubes do futebol
brasileiro. Vejam, não estou colocando certo ou errado, apenas o que está
realmente certo.
Vejamos a
realidade de nossos clubes, sem camuflagens, sem maquiagens, sem distorções ou pontos nesse momento fora da curva, sem regionalismo, sem impressões
tendenciosas ou políticas, apenas, uma série de ponderações para análise crua
de simples torcedores. Em primeiro lugar é bom salientar que o torcedor
dificilmente tem um conhecimento, ao menos, satisfatório sobre o dia-a-dia dos
nossos clubes. Acompanha treinamentos, jogos e o que é divulgado pela imprensa
escrita, falada e/ou televisiva. Quanto mais longe do clube, mais vulnerável
estará às distorções, devido a menor e menos qualificada informação,
principalmente pelo acréscimo exagerado de informações com foco no interesse
dos torcedores de clubes locais.
Sem
querer ficar como “cachorro correndo atrás do rabo”, fico imaginando quais
seriam as razões que levaram o futebol brasileiro a esse estágio tão aquém de
suas possibilidades. Salários pagos hiperinflacionados, altas somas de
patrocínio e muito pouco futebol de qualidade vencedor como resultado. O quê e
onde poderia ser corrigido algo ou, quem sabe, visto por outro ângulo? Na minha
modesta opinião, basta analisar o comportamento e os resultados atuais dos
clubes brasileiros, assim como de sua seleção nacional e podemos verificar uma
série de pontos que merecem ser repensados.
Imagino
que para a escolha de uma direção de clube, sejam avaliados líderes, principalmente
na sua capacidade de liderar um grande clube, assim como os critérios que
adotou na sua escolha de integrantes de seu grupo que, no mínimo, devem comungar
com ele do mesmo pensamento e, também, devem possuir o conhecimento suficiente
para assumir as responsabilidades inerentes à função, de como fazer a sua
gestão nas atividades em um grande clube. A escolha, por entendimento lógico,
deverá cair sobre o grupo que melhor representas a história do clube, que tenha
comprovadamente capacidade de administrar o conjunto de atividades, de forma
responsável e a tornar o clube vencedor, buscando atender os anseios e sonhos
dos pensamentos da torcida. Entendo que uma vez definida uma direção e seus
integrantes, não cabe a adversários nas eleições a critica, mas sim a valiosa
contribuição de apoio para o sucesso. Cada um dos integrantes da direção deve
utilizar todo o seu potencial e conhecimento para cumprir adequadamente a sua
atividade ou de ter a humildade de aprender com experiências exitosas em outros
grandes clubes que possam servir de “benchmarking” e ter a capacidade e
inteligência de ouvir e entender opiniões divergentes. Lógico que para o
sucesso de uma direção passa por visão, domínio de conceitos e clareza de um
criterioso planejamento estratégico, que contenha objetivo, metas, responsabilidades,
análises periódicas e atenção total na sua execução. Essas análises irão manter
as ações definidas previamente ou servir de alicerce para as correções de rumo
para a execução de objetivos definidos a curto, médio e longo prazo. As
posições da direção de um grande clube devem ser claras, objetivas e
conclusivas. Sob esse foco fica o questionamento, atualmente isso acontece nos
clubes do futebol brasileiro?
Imagino
que para a escolha de um comando técnico adequado, depois de definida a direção
para o clube ou uma vez já definida, deva ter a preocupação de identificar aquela
equipe técnica, vejam que não estou colocando aquele técnico, mas equipe
técnica, que melhor represente os objetivos da direção do clube e que tenha
todas as condições de executar as ações do planejamento previamente definido. A
esse comando técnico devem ser oferecidas todas as condições favoráveis ao seu
sucesso e de sua equipe de trabalho, desde o apoio interno e externo, o tempo
necessário para a correta execução de seu planejamento de trabalho, atentos à melhor
logística para treinamentos e jogos e as melhores condições de trabalho,
inclusive apoio tecnológico. Os resultados iniciais, tanto de vitórias ou
derrotas, não podem ser entendidos como objetivo alcançado ou não, pois estamos
falando em curto, médio e longo prazo. Esse comando técnico tem de funcionar
profissionalmente e permanecer isenta às pressões vindas da imprensa, de
jogadores “medalhões” e da paixão da torcida, ou seja, deve ter um
comportamento exclusivamente profissional na busca dos melhores resultados.
Lógico, ter a humildade de não ser o “dono da verdade”, até porque quando a
humildade é praticada aprendemos muito, pois muitas vezes outras opiniões
trazem soluções importantes, mesmo quando externadas de forma apaixonada pela
torcida. Também não acredito em esquemas já vindos prontos, “da cabeça” de um
comando técnico, pois concebe jogadores prontos e já disponíveis, me parece
mais lógico, olhando a realidade brasileira, que esquemas vencedores utilizam a
potencialidade máxima de cada jogador existente no plantel e que os melhores
esquemas de jogo se consolidam nessas circunstâncias. No meu entendimento o
comando técnico deve ser mantido enquanto seguir as orientações alimentadas
pelos integrantes da direção e de execução prevista, assim como efetuar os
ajustes, sempre que necessários. Não acredito que somente mudanças de comando
técnico levem um clube ao sucesso duradouro. Pode resultar em resultados
imediatos, mas logo deixarão evidentes equívocos de escolha e de conduta. No
meu entendimento, os critérios da escolha do comando técnico ou quando da existência
de frustração, fruto da análise das condições desse comando técnico não
conseguir alcançar os objetivos traçados, por várias razões, é que devem estabelecer
as condições às mudanças. Sob esse foco fica o questionamento, atualmente isso
acontece nos clubes brasileiros?
Imagino
que para a escolha do grupo de jogadores que formarão o elenco para as
competições, depois de definida a direção e o comando técnico, deve seguir uma linha
de análise sobre a qualidade dos jogadores disponíveis, às possibilidades de
adaptações ou de acréscimo em suas habilidades e as carências identificadas. No
meu entendimento, jogadores disponíveis são todos aqueles que estão no grupo de
elenco principal, os vindos de empréstimos, os já contratados e oriundos da
base, quando da chegada do comando técnico. Depois do tempo necessário para
fazer uma análise criteriosa dos mesmos e sobre suas possíveis utilizações
dentro da ideia buscada de time vencedor, as carências, com certeza, serão
identificadas. Não sei se meu raciocínio é correto, mas um jogador pode não ser
útil para um tipo de esquema de jogo, por não apresentar condições para
desempenhar uma função, mas muito útil para outro. Não podemos esquecer que os
“artistas” são os jogadores e eles é que devem dar o espetáculo, pois o “resto”
é importante retaguarda vencedora ou perdedora. Quando o pensamento é “forçar”
um jogador a desempenhar o que não tem condições de fazer, me parece um grande
erro, principalmente pela exposição desnecessária à torcida e à imprensa. Por
essa razão não concordo com esquemas de jogo vindos prontos e a pretensão de
implantá-los, sem a mínima análise da qualidade dos jogadores que irão executar
as funções. O resultado não pode ser outro, fracasso em competições e um
crescimento absurdo de jogadores inseguros e desmotivados. Essa análise
criteriosa, principalmente da utilização qualificada do potencial máximo disponível
internamente, com contratações específicas e pontuais, é que podem conduzir
para esquemas de jogo vencedores, com uma equipe personalizada, valorizada,
coesa, combativa, evidenciando competitividade, dando oportunidade ao
aparecimento de desempenhos qualificados e fadada a um sucesso duradouro. A
direção, o comando técnico e o grupo de jogadores devem fazer parte de um
conjunto único, equilibrado e estar qualificado para ser um grande time, de um
grande clube vencedor. Sob esse foco fica o questionamento, atualmente isso
acontece no futebol brasileiro?
Poderíamos
entrar na seara dos critérios adotados nas escolhas para as lideranças e grupos
de gestão das confederações e federações, não só do futebol, mas de todos os
esportes. Essas análises são, no mínimo, similares e possíveis. Ficam sempre
dúvidas, principalmente se são escolhidos os mais qualificados à gestão daquele
esporte ou se seguem outros critérios? Nada mudará definitivamente sem que haja
o engajamento de todos em um grande projeto de mudança em busca da qualificação
perdida no esporte brasileiro. Temos excelentes exemplos a seguir dos esportes
olímpicos brasileiros comprovadamente de resultados vencedores e temos material
humano de alta qualidade para/e em todas as atividades. Acredito que o futebol
brasileiro poderia ter um mínimo de humildade e utilizar como aprendizado o
conhecimento “de casa” e as experiências vividas internacionalmente pelos
esportes olímpicos brasileiros vencedores, principalmente do voleibol masculino
e feminino.
Desculpem,
quanto às torcidas, com poucas exceções devido a exageros de fanatismo, sem
reparos e sem maiores comentários, pois se trata dos grupos mais puros, mais fiéis,
mais apaixonados e mais ávidos por conquistas, acreditando, confiando e
permanecendo sempre junto aos clubes, faça chuva, faça sol, nas vitórias e nas
derrotas. É de suma importância o entendimento da responsabilidade da imprensa,
das federações, das direções dos clubes, dos grupos de atletas e de todos os
torcedores, de lutar incessantemente por uma convivência ardorosa, mas pacífica,
civilizada, respeitosa, educada e harmônica nos estádios, nas arenas
brasileiras e fora delas. Isso acontece hoje no futebol brasileiro?
Para encerrar,
afinal qual a saída para qualificar novamente os clubes e para o futebol
brasileiro, tornando-o novamente competitivo e respeitado no cenário esportivo internacional?
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