sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

SONHO, REALIDADE E SOLUÇÃO


 
Estava em um local público, em um shopping, esperando um encontro e, sem intenção alguma, acabei escutando uma conversa que estava acontecendo à mesa ao meu lado, onde três pessoas conversavam sobre as dificuldades financeiras que estavam enfrentando e como poderiam resolver seus problemas.

Difícil foi desviar a atenção e não acompanhar o desenrolar da conversa. Como eram pessoas com situações diferentes, escutei verdadeiras aulas de como gerenciar problemas financeiros e sobre as várias razões que levam a eles. O que mais me chamou a atenção é que em nenhum momento havia falta de otimismo e não haver soluções para as dificuldades do momento.

Fiquei surpreso quando um afirmou que poderia perder o emprego nos próximos dias, mas que tinha reservas guardadas e que tinha certeza que não ficaria desempregado por muito tempo. Seu otimismo o levava a desconsiderar o atual momento de alta taxa de desemprego no País e as dificuldades que as empresas estão passando. Fiquei muito incrédulo com o resultado esperado movido pelo seu otimismo.

O outro estava empregado, ganhava pouco, não tinha conseguido aumento de salário e afirmou categoricamente que estava em pleno processo de “corte na carne”, ou seja, eliminando todos os custos que não eram essenciais, mas estava encontrando grandes dificuldades para que sua família entendesse a perda de poder aquisitivo e as medidas que estava adotando. Sobrava dinheiro, mas muito pouco.

Finalmente o último, estava desempregado, não encontrava emprego e afirmava que estava sendo ajudado por outros, mas que não estava conseguindo suportar as dificuldades, cada vez maiores. Sua família estava vivendo com grandes dificuldades, que passava por dificuldades até para colocar comida a mesa e que as queixas e as desavenças eram muitas e crescentes. Disse que o sonho dele era ganhar na loteria, mas que não precisava ganhar sozinho e nem muito, só o suficiente para pagar suas dívidas, que não eram muitas e nem grandes, e poder dar um pouco de tranquilidade à sua família. Afirmou que, naquele momento, estava totalmente sem dinheiro e passava por grandes dificuldades.

A conversa parecia que não teria um fim, pois cada um, muitas vezes até de forma repetitiva, tentava justificar suas opiniões e soluções. Questionados pelo último sobre qual destino dariam ao dinheiro caso ganhassem na loteria. As respostas foram quase idênticas e centradas somente em interesses próprios (aquisições, viagens e outros). Em um determinado momento, por estar em piores condições, pediu alguma ajuda aos dois, pois estava sem dinheiro algum. Bastou pedir, para cada um dos dois, justificar a necessidade de sair e o deixaram sem resposta alguma. A impressão que ficou é como se eles não tivessem escutado a solicitação ou simplesmente a ignoraram.

O que ficou sentado me olhou e deve ter percebido minha expressão de espanto, o que realmente não consegui disfarçar. Esperou alguns momentos, escreveu alguma coisa, levantou e depois de perguntar se poderia fazer, deixou um bilhete em cima da minha mesa. Esperei alguns momentos, comecei a ler o bilhete e, para minha surpresa, estava escrito que ele havia realizado o seu sonho, ganhado a loteria, uma boa quantia, estava em ótimas condições financeiras, ajudando amigos e familiares e que também pensava em ajudá-los, mas que antes gostaria de ter certeza se realmente eram seus verdadeiros amigos. Escreveu também que minha despesa já havia sido paga, assim como a de outras mesas, pois estava se sentindo muito feliz. Olhei para ele, vi que já estava bem afastado, mas sorrindo para mim.

Permaneci sentado por mais alguns momentos, ainda incrédulo, pensando como essa vida nos traz ensinamentos e feliz por estar vivo.

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