Para melhor me fazer entender, escrevo o que entendo como hipocrisia e
como dissimulação. Hipocrisia são os posicionamentos de pessoas fingindo ter
crenças, virtudes e sentimentos que na verdade não possuem e dissimulação é
quando propositadamente alguém procura encobrir os seus verdadeiros sentimentos
visando obter alguma vantagem da situação.
Certamente,
todos nós temos encontrado e convivido com essas diversas situações onde
constatamos pessoas que possuem uma falha tão forte de caráter, julgando outras
pessoas e, não é raro, são pessoas mesquinhas, egoístas e exclusivistas.
Ao
meu modo de ver a hipocrisia e a dissimulação são enormes mecanismos de defesa,
pois escondem o que essas pessoas realmente possuem dentro de si, suas verdadeiras
ideias e seus sentimentos desajustados, inconsequentes e, muitas vezes,
incontroláveis.
Uma
vez bem entendido o que penso sobre a hipocrisia e a dissimulação inicio minha
postagem de hoje. Como entender o posicionamento de determinadas pessoas sobre
alguns problemas existentes em nosso País. Como pode viver de forma digna uma
família que recebe apenas o Salário Mínimo ou a esmola do Bolsa Família? É
melhor que nada, não há dúvidas, mas é muito pouco para proporcionar um mínimo de
boas condições de vida a essas pessoas. Parecem desconhecer e ficam espantados
quando tomam conhecimento que tem gente passando fome, mendigando, que não tem
o que comer e que moram da maneira mais precária possível, muitas vezes
abandonados à própria sorte ou às drogas. Fazem que desconhecem e que ignoram
totalmente os males provocados pelas secas, pela falta de chuvas e pela falta
de água, até para beber. Acreditam, ao
menos tentam demonstrar isso, que todos possuem acesso a uma educação de
qualidade e que existem escolas excelentes disponíveis para todos. Como pode alguém que passa
fome, frio e não tem um lugar digno para morar, aprender alguma coisa
na escola... São dissimulados e inacreditavelmente tentam se mostrar surpresos,
espantados e solidários com o sofrimento dos doentes que necessitam e que não
tem acesso a um atendimento médico adequado, quando mais precisam, e que não
conseguem vagas em hospitais. Ignoram a situação humilhante
e aviltante, como se nada tivessem com isso, da situação dos idosos, tanto
aposentados, que hoje com suas aposentadorias não conseguem nem comprar os seus
remédios, comer ou viver adequadamente e necessitam trabalhar até morrer ou até
cair inválido em uma cama, como também dos abandonados e ignorados por suas
famílias, muito pobres e totalmente sem recursos para sobreviver.
O seu egoísmo é tão grande que a segurança
que acreditam ter é uma ilusão e somente uma falsa sensação, pois ignoram a crescente e alarmante insegurança
que os cerca e vivida pelos demais, mantendo-se apenas distantes, atrás de tantas proteções e grades que, sem se dar conta,
cada vez mais se aproximam da vida em uma prisão.
Quando
me refiro ao nosso País, estou me referindo a todo o País, não só as grandes
cidades, mas sim todas as cidades desse País e a todos os cidadãos desse País. Como
podemos aceitar viver em um País continental, do tamanho do nosso, com uma
riqueza de solo incomparável, com água em abundância e ter gente passando fome,
morrendo por falta d´água, sem acesso às escolas, sem acesso aos hospitais e
postos médicos, sem recursos para comprar remédios, amedrontados e aprisionados em suas casas,
temendo assaltos ou balas perdidas, vendo a propagação crescente de incêndios
criminosos de ônibus e ataques às bases e viaturas das forças policiais,
execuções sumárias, estupros, apologia ao crime e a pratica do mal.
Independente
de governos, posições políticas, raças e credos, em qualquer lugar do mundo, é difícil entender
como não se forma uma união crescente local, regional, nacional ou mundial para
fazer uma frente que acabe, de uma vez por todas, com todo esse sofrimento
existente. Parece-me lógico, que se acabasse essa hipocrisia e essa dissimulação
de quem tem a posse de uma riqueza concentrada, “abrisse os olhos” à realidade
existente, de forma menos egoísta e tendo um mínimo de verdadeira solidariedade,
essa triste realidade não começaria a mudar. Hoje, constatamos que muitas pessoas
ficam na cômoda posição de espera, aguardando que as soluções surjam por outros, como se nada pudessem fazer, mas escravizam dentro de suas próprias casas ou dentro de suas empresas, não
respeitando corretamente as leis que protegem os trabalhadores, assim como
também negam um salário e condições dignas a essas pessoas. Não posso acreditar que governos
digam que praticam políticas públicas visando melhorar essas diferenças
gritantes entre um pequeno grupo dos mais ricos e favorecidos e de um grande grupo
dos mais pobres, quando constatamos que toda essa miséria é colocada “para baixo do
tapete” pela hipocrisia e dissimulação existente.

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