terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Década da Hipocrisia e Dissimulação


Para melhor me fazer entender, escrevo o que entendo como hipocrisia e como dissimulação. Hipocrisia são os posicionamentos de pessoas fingindo ter crenças, virtudes e sentimentos que na verdade não possuem e dissimulação é quando propositadamente alguém procura encobrir os seus verdadeiros sentimentos visando obter alguma vantagem da situação. 

Certamente, todos nós temos encontrado e convivido com essas diversas situações onde constatamos pessoas que possuem uma falha tão forte de caráter, julgando outras pessoas e, não é raro, são pessoas mesquinhas, egoístas e exclusivistas.

Ao meu modo de ver a hipocrisia e a dissimulação são enormes mecanismos de defesa, pois escondem o que essas pessoas realmente possuem dentro de si, suas verdadeiras ideias e seus sentimentos desajustados, inconsequentes e, muitas vezes, incontroláveis.

Uma vez bem entendido o que penso sobre a hipocrisia e a dissimulação inicio minha postagem de hoje. Como entender o posicionamento de determinadas pessoas sobre alguns problemas existentes em nosso País. Como pode viver de forma digna uma família que recebe apenas o Salário Mínimo ou a esmola do Bolsa Família? É melhor que nada, não há dúvidas, mas é muito pouco para proporcionar um mínimo de boas condições de vida a essas pessoas. Parecem desconhecer e ficam espantados quando tomam conhecimento que tem gente passando fome, mendigando, que não tem o que comer e que moram da maneira mais precária possível, muitas vezes abandonados à própria sorte ou às drogas. Fazem que desconhecem e que ignoram totalmente os males provocados pelas secas, pela falta de chuvas e pela falta de água, até para beber.  Acreditam, ao menos tentam demonstrar isso, que todos possuem acesso a uma educação de qualidade e que existem escolas excelentes disponíveis para todos. Como pode alguém que passa fome, frio e não tem um lugar digno para morar, aprender alguma coisa na escola... São dissimulados e inacreditavelmente tentam se mostrar surpresos, espantados e solidários com o sofrimento dos doentes que necessitam e que não tem acesso a um atendimento médico adequado, quando mais precisam, e que não conseguem vagas em hospitais. Ignoram a situação humilhante e aviltante, como se nada tivessem com isso, da situação dos idosos, tanto aposentados, que hoje com suas aposentadorias não conseguem nem comprar os seus remédios, comer ou viver adequadamente e necessitam trabalhar até morrer ou até cair inválido em uma cama, como também dos abandonados e ignorados por suas famílias, muito pobres e totalmente sem recursos para sobreviver.  O seu egoísmo é tão grande que a segurança que acreditam ter é uma ilusão e somente uma falsa sensação, pois ignoram a crescente e alarmante insegurança que os cerca e vivida pelos demais, mantendo-se apenas distantes, atrás de tantas proteções e grades que, sem se dar conta, cada vez mais se aproximam da vida em uma prisão.

Quando me refiro ao nosso País, estou me referindo a todo o País, não só as grandes cidades, mas sim todas as cidades desse País e a todos os cidadãos desse País. Como podemos aceitar viver em um País continental, do tamanho do nosso, com uma riqueza de solo incomparável, com água em abundância e ter gente passando fome, morrendo por falta d´água, sem acesso às escolas, sem acesso aos hospitais e postos médicos, sem recursos para comprar remédios, amedrontados e aprisionados em suas casas, temendo assaltos ou balas perdidas, vendo a propagação crescente de incêndios criminosos de ônibus e ataques às bases e viaturas das forças policiais, execuções sumárias, estupros, apologia ao crime e a pratica do mal.

Independente de governos, posições políticas, raças e credos, em qualquer lugar do mundo, é difícil entender como não se forma uma união crescente local, regional, nacional ou mundial para fazer uma frente que acabe, de uma vez por todas, com todo esse sofrimento existente. Parece-me lógico, que se acabasse essa hipocrisia e essa dissimulação de quem tem a posse de uma riqueza concentrada, “abrisse os olhos” à realidade existente, de forma menos egoísta e tendo um mínimo de verdadeira solidariedade, essa triste realidade não começaria a mudar. Hoje, constatamos que muitas pessoas ficam na cômoda posição de espera, aguardando que as soluções surjam por outros, como se nada pudessem fazer, mas escravizam dentro de suas próprias casas ou dentro de suas empresas, não respeitando corretamente as leis que protegem os trabalhadores, assim como também negam um salário e condições dignas a essas pessoas. Não posso acreditar que governos digam que praticam políticas públicas visando melhorar essas diferenças gritantes entre um pequeno grupo dos mais ricos e favorecidos e de um grande grupo dos mais pobres, quando constatamos que toda essa miséria é colocada “para baixo do tapete” pela hipocrisia e dissimulação existente.




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