Fiquei indignado com a sordidez e
“oportunismo descarado” das declarações e postagens na Internet de algumas
pessoas que não são gente. É uma estupidez aproveitar-se de situações tão
tristes para “fazer desfilar” toda a ignorância sobre segurança, a falta de
respeito ao sofrimento das pessoas, observar indignado colocações de forte
demonstração de descriminação e de oportunismo desenfreado que, infelizmente,
existe na cabeça de alguns poucos. Espero que deixem essa hipocrisia de lado,
tenham um pouco de responsabilidade e que esse sério problema seja encarado de
frente, com coragem, com humildade e com firmeza.
Não é possível que as “consciências
demagógicas e descompromissadas” , agindo "lavando as mãos" como se já tivesse feito tudo que é de suas responsabilidades, sejam satisfeitas somente com a
“identificação” e castigo de “culpado(s), pois esse triste acidente mostra a
realidade existente em nosso País”. Leis existem e muitas, mas só isso não
basta. Quem fiscaliza constantemente a observação e a execução correta dessas
leis? Quando falo em fiscalização e obediência a leis, estou me referindo a
qualquer lei existente em nosso País. Como se pode construir e permitir o
funcionamento de uma boate ou qualquer local estabelecimento público, onde
estarão presentes centenas de vidas, sem a devida verificação e comprovação da
manutenção da obediência das exigências de segurança para os seus usuários. Falar
em segurança mínima é um absurdo sem tamanho e de inacreditável descaso com a
vida humana. A segurança deve ser a necessária, nem mínima, nem máxima, mas que
garanta a segurança das pessoas.
Existem tragédias evitáveis e outras
inevitáveis. Para as evitáveis a análise riscos e os procedimentos a serem
adotados devem ser seguidos à risca, caso contrário acontecerá com trágicas
consequências. Nas inevitáveis, o mínimo que se espera para um lugar público ou
privado, onde está prevista a aglomeração de pessoas, no mínimo as medidas
mitigadoras para reduzir as consequências de danos, devem estar presentes e, se
possível, não dependendo de ação humana (devido às possibilidades de erro humano).
Se esse é o pensamento na área material, não existem razões lógicas e
aceitáveis para que não sejam, com muito mais razão, em se tratando de gente.
No caso em questão, essa triste e
lamentável tragédia que se abateu em nossa Santa Maria, da Boca do Monte, no
Rio Grande do Sul, pelas imagens e informações da imprensa, o que adianta uma
porta maior ou menor, se antes havia um labirinto de corredores para passar.
Conforme as mesmas fontes, a banda que tocava fazia uma coreografia com
sinalizador, mas só está sendo condenada agora, quando ocorreu essa tragédia. E
as outras vezes em que a utilização de sinalizador foi feita, porque ninguém
agiu? Será que se as pessoas que presenciaram essas exibições anteriores tivessem
saída da posição de meros expectadores da vida, não contratassem ou aplaudissem
o descaso de obediência às leis, essa tragédia não teria sido evitada? Será que
estão tranquilas agora?
A grande realidade, que deve ser
exaustivamente analisada, estudada e definidas a sua adoção de medidas
urgentes, desde adequação ao fechamento das portas, em todo o nosso País, de
forma que não só as boates, casas de show e tantos outros lugares onde estão
previstas a presença de grande número de pessoas, possam garantir a segurança
necessária para nós e nossos filhos frequentarem. Até quando vamos conviver cegamente convivendo
com descasos à nossa segurança?
É triste e lamentável ver como essa
hipocrisia, de dizer que “cada um fez a sua parte”, cega às pessoas, pois se
isso tivesse realmente acontecido, não estaríamos estarrecidos chorando essas
perdas O Brasil, na manhã de domingo, dia 27/01/13, acordou e ficou mais
triste. Depois do ocorrido, quando as famílias que sofreram perdas
irreparáveis, só podemos compartilhar também da sua dor e desejarmos,
solidários, que tenham força para encontrar o devido e merecido conforto nessa
hora tão difícil. Peço ao “Patrão lá de cima” que dê a força necessária para
cada um que foi “mutilado” em seu convívio familiar. Como não acredito em realização
de maldades conscientes, pois ninguém nasce mau, penso que as autoridades,
empresários e usuários como nós, de uma maneira geral, por favor, vamos ficar
mais atentos à obediência às leis, de maneira permanente, e ver onde podemos de
alguma forma contribuir para afastar, para o mais longe possível, a repetição
dessas perdas evitáveis, irreparáveis e esse sofrimento indescritível.

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