quarta-feira, 27 de julho de 2016

Guerras e atrocidades


 

Em determinados momentos de minha vida, principalmente depois de tomar conhecimento de guerras, conflitos violentos e atrocidades bárbaras no mundo todo, tento entender as razões para existirem. Minha sincera opinião é de que seja a materialização da imbecilidade da raça humana. Essas situações, principalmente a guerra, por qualquer raciocínio que tentem explicar, tratam-se da maior demonstração da não aceitação da convivência harmônica e pacífica entre os diferentes, mas importantes, modos de viver de todos os seres humanos.  Uma das maiores, se não a maior, demonstração da falta de inteligência do ser humano.

 

Se nos detivermos um pouco nas razões que culminam nesses conflitos violentos, fazendo seres humanos a se comportarem como animais selvagens, chegaremos à conclusão que é o sórdido sentimento de acreditar em poder acima de tudo, superioridade de raças, de crenças, de condições sociais, de escolhas sexuais e de tantos outros desvios de conduta como ser humano completo.

 

Não encontro razões lógicas para sacrifício de tantos seres humanos inocentes e que nada tem a ver com as razões absurdas dos conflitos violentos existentes. Quando percebemos o sofrimento causado e que cada história tem dois lados, o do agressor e o do agredido, passamos a entender que cada povo tem a sua história, seu modo de vida, seus comportamentos, iguais a todos os outros, importantes às suas felicidades. Avós, pais, mães, filhos, famílias e amigos existem dos dois lados e essas são as vitimas inocentes dessas atrocidades cometidas pela imbecilidade de “doentes inimigos”.

 

Não me parece justo e humano que nações que teriam a responsabilidade de proteger as nações menos favorecidas, aproveitem-se dessa privilegiada posição de desenvolvimento social, para agir em proveito próprio, esquecendo suas responsabilidades com o respeito aos direitos de qualquer outro cidadão ou nação do mundo. Se para o país é importante à prática da justiça social, qual a razão de acreditar que para outros países isso não seja também uma opção importante. O mesmo raciocínio deve ser considerado para nações menos favorecidas pelas oportunidades da vida, que por n razões, ou por só acreditarem na importância dos valores defendidos para elas ou que chegaram até elas, mas que não são importantes para outros, esquecerem-se de suas responsabilidades com o respeito aos direitos de qualquer outro cidadão ou nação do mundo. Se não houver respeito mútuo, respeito à liberdade de expressão e de comportamento, cedendo lugar à insensatez, não existirá convivência pacífica e sim, conflitos intermináveis, de consequências trágicas, com muita dor para os dois lados e apreensão e insegurança à humanidade, em qualquer lugar do mundo.

 

Se observarmos friamente a realidade, não é admissível que com todos os recursos e todas as tecnologias disponíveis existam razões lógicas para explicar como exista alguém no mundo, que não possa ter garantida a sua alimentação, água, moradia, instrução, segurança, saúde, emprego e condições mínimas de subsistência. Ao observarmos a realidade do mundo nesse momento, excluindo uma minoria pequena de países com condições de vida mais favorecidas, existe o sentimento crescente da necessidade de eliminação desse comprometimento de condições básicas de sobrevivência desses países e povos menos favorecidos. Quando percebemos que a justiça social deve fazer parte de todos os povos e nações, que todos tem direitos iguais, vamos perceber que a única saída para uma convivência pacífica e duradoura é acabar com essa degradante e vergonhosa desigualdade existente entre as nações mais favorecidas e as das demais menos favorecidas. Não é possível aceitar as explicações para não usar todos esses recursos financeiros e humanos jogados fora, em guerras e conflitos dolorosos entre povos, para acabar definitivamente com a miséria, o sofrimento, a dor e as diferenças existentes entre as nações. Não há mais lugar para qualquer tipo de aceitação ao desrespeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais dos indivíduos ou nações, gerados pela discriminação ou preconceito, seja social, cultural, econômica, étnica, política, religiosa, sexual ou idade.

 

Hoje, mais que em outras épocas, a atrocidade dessas desigualdades e discriminações ficam evidentes, pois vivemos intensamente os dramas das migrações em massa de gente que busca ter o mínimo de condições para viver e de encontrar uma razão para ter paz e ser feliz. Ao mesmo tempo que  países e regiões são bombardeadas, gerando destruição e mortes, atos de terrorismo se espalham pelo mundo, como fogo em palha, provocando morte de inocentes e sacrifícios movidos por crenças, vingança e ódio. No fundo, tudo fruto das desigualdades existentes entre as nações e da irresponsabilidade de alguns, gerando fugas desesperadas, sangrentos conflitos, sacrifício de vidas humanas inocentes, destruição de famílias, cidades e países, concentrando poder podre e riqueza nas mãos de poucos e deixando a sensação da inexistência de consciência nas pessoas e de um fim.

 

Não precisamos ir longe para ver as consequências da desigualdade, basta sair às ruas de nossas cidades, observar criticamente em volta e chegaremos a conclusão que está muito mais próxima de nós que imaginamos. Adultos e crianças desabrigadas e abandonados à própria sorte, pedintes, famintos, muros, cercas eletrificadas, vigias, cachorros ferozes, alarmes, estupros, roubos, assaltos, mortes, inclusive geradas por irresponsabilidade nas estradas e outras tristes demonstrações. Ao projetarmos essas observações para o nosso País, constataremos as mesmas ou maiores desigualdades gritantes existentes nas e entre as diversas regiões, estados, municípios e seus habitantes, nossos irmãos O mundo nada mais é que um grande país. Se alguém ainda acreditar que as ações para reduzir as desigualdades, que provocam uma verdadeira guerra urbana, também com tanto sofrimento e dor, ou até mesmo entre países, estão fora de seu alcance, está mais do que na hora de “acordar” para a vida e começar a fazer a sua parte, iniciando em casa e praticando também no seu convívio pessoal.

 

Acredito, sinceramente, que se cada cidadão, em cada país do mundo, parasse um pouco e pensasse se a grande mudança não seria dar lugar a um comportamento nosso e não meu. Penso que deveríamos procurar enxergar mais os outros e praticar mais o que é melhor para nós, não para mim e para os meus, mas sim, o melhor para todos, esquecendo nosso egoísmo e cedendo lugar ao altruísmo, pois só assim teríamos uma chance de mudar o momento atual e continuar acreditando em um futuro melhor.

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