Em
determinados momentos de minha vida, principalmente depois de tomar
conhecimento de guerras, conflitos violentos e atrocidades bárbaras no mundo
todo, tento entender as razões para existirem. Minha sincera opinião é de que seja
a materialização da imbecilidade da raça humana. Essas situações,
principalmente a guerra, por qualquer raciocínio que tentem explicar, tratam-se
da maior demonstração da não aceitação da convivência harmônica e pacífica
entre os diferentes, mas importantes, modos de viver de todos os seres
humanos. Uma das maiores, se não a
maior, demonstração da falta de inteligência do ser humano.
Se nos
detivermos um pouco nas razões que culminam nesses conflitos violentos, fazendo
seres humanos a se comportarem como animais selvagens, chegaremos à conclusão
que é o sórdido sentimento de acreditar em poder acima de tudo, superioridade
de raças, de crenças, de condições sociais, de escolhas sexuais e de tantos
outros desvios de conduta como ser humano completo.
Não
encontro razões lógicas para sacrifício de tantos seres humanos inocentes e que
nada tem a ver com as razões absurdas dos conflitos violentos existentes. Quando
percebemos o sofrimento causado e que cada história tem dois lados, o do agressor
e o do agredido, passamos a entender que cada povo tem a sua história, seu modo
de vida, seus comportamentos, iguais a todos os outros, importantes às suas
felicidades. Avós, pais, mães, filhos, famílias e amigos existem dos dois lados
e essas são as vitimas inocentes dessas atrocidades cometidas pela imbecilidade
de “doentes inimigos”.
Não me parece justo e humano que nações que teriam a responsabilidade de
proteger as nações menos favorecidas, aproveitem-se dessa privilegiada posição
de desenvolvimento social, para agir em proveito próprio, esquecendo suas
responsabilidades com o respeito aos direitos de qualquer outro cidadão ou
nação do mundo. Se para o país é importante à prática da justiça social, qual a
razão de acreditar que para outros países isso não seja também uma opção
importante. O mesmo raciocínio deve ser considerado para nações menos
favorecidas pelas oportunidades da vida, que por n razões, ou por só acreditarem
na importância dos valores defendidos para elas ou que chegaram até elas, mas que
não são importantes para outros, esquecerem-se de suas responsabilidades com o
respeito aos direitos de qualquer outro cidadão ou nação do mundo. Se não
houver respeito mútuo, respeito à liberdade de expressão e de comportamento, cedendo
lugar à insensatez, não existirá convivência pacífica e sim, conflitos
intermináveis, de consequências trágicas, com muita dor para os dois lados e apreensão
e insegurança à humanidade, em qualquer lugar do mundo.
Se observarmos
friamente a realidade, não é admissível que com todos os recursos e todas as
tecnologias disponíveis existam razões lógicas para explicar como exista alguém
no mundo, que não possa ter garantida a sua alimentação, água, moradia,
instrução, segurança, saúde, emprego e condições mínimas de subsistência. Ao
observarmos a realidade do mundo nesse momento, excluindo uma minoria pequena
de países com condições de vida mais favorecidas, existe o sentimento crescente
da necessidade de eliminação desse comprometimento de condições básicas de
sobrevivência desses países e povos menos favorecidos. Quando percebemos que a
justiça social deve fazer parte de todos os povos e nações, que todos tem
direitos iguais, vamos perceber que a única saída para uma convivência
pacífica e duradoura é acabar com essa degradante e vergonhosa desigualdade existente
entre as nações mais favorecidas e as das demais menos favorecidas. Não é
possível aceitar as explicações para não usar todos esses recursos financeiros
e humanos jogados fora, em guerras e conflitos dolorosos entre povos, para
acabar definitivamente com a miséria, o sofrimento, a dor e as diferenças
existentes entre as nações. Não há mais lugar para qualquer tipo de aceitação ao
desrespeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais dos indivíduos
ou nações, gerados pela discriminação ou preconceito, seja social, cultural, econômica,
étnica, política, religiosa, sexual ou idade.
Hoje, mais que
em outras épocas, a atrocidade dessas desigualdades e discriminações ficam
evidentes, pois vivemos intensamente os dramas das migrações em massa de gente
que busca ter o mínimo de condições para viver e de encontrar uma razão para
ter paz e ser feliz. Ao mesmo tempo que
países e regiões são bombardeadas, gerando destruição e mortes, atos de
terrorismo se espalham pelo mundo, como fogo em palha, provocando morte de
inocentes e sacrifícios movidos por crenças, vingança e ódio. No fundo, tudo
fruto das desigualdades existentes entre as nações e da irresponsabilidade de
alguns, gerando fugas desesperadas, sangrentos conflitos, sacrifício de vidas
humanas inocentes, destruição de famílias, cidades e países, concentrando poder
podre e riqueza nas mãos de poucos e deixando a sensação da inexistência de consciência
nas pessoas e de um fim.
Não precisamos
ir longe para ver as consequências da desigualdade, basta sair às ruas de
nossas cidades, observar criticamente em volta e chegaremos a conclusão que
está muito mais próxima de nós que imaginamos. Adultos e crianças desabrigadas
e abandonados à própria sorte, pedintes, famintos, muros, cercas eletrificadas,
vigias, cachorros ferozes, alarmes, estupros, roubos, assaltos, mortes,
inclusive geradas por irresponsabilidade nas estradas e outras tristes demonstrações.
Ao projetarmos essas observações para o nosso País, constataremos as mesmas ou
maiores desigualdades gritantes existentes nas e entre as diversas regiões,
estados, municípios e seus habitantes, nossos irmãos O mundo nada mais é que um
grande país. Se alguém ainda acreditar que as ações para reduzir as desigualdades,
que provocam uma verdadeira guerra urbana, também com tanto sofrimento e dor,
ou até mesmo entre países, estão fora de seu alcance, está mais do que na hora
de “acordar” para a vida e começar a fazer a sua parte, iniciando em casa e
praticando também no seu convívio pessoal.
Acredito, sinceramente, que se cada cidadão, em cada país
do mundo, parasse um pouco e pensasse se a grande mudança não seria dar lugar a
um comportamento nosso e não meu. Penso que deveríamos procurar enxergar mais os
outros e praticar mais o que é melhor para nós, não para mim e para os meus,
mas sim, o melhor para todos, esquecendo nosso egoísmo e cedendo lugar ao
altruísmo, pois só assim teríamos uma chance de mudar o momento atual e
continuar acreditando em um futuro melhor.
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