terça-feira, 23 de agosto de 2016

A VERDADE INTERIOR E EXTERIOR

 


Muitas vezes fico pensando até onde existe a verdade em sentimentos, quando a maioria das reações exteriores não representam as verdades interiores.  Observando diversas situações e pessoas, percebemos que algumas vezes as reações exteriores são conduzidas pela proximidade, visibilidade, boa educação e por um sentimento, no momento, de aparente honestidade. Sinceramente, muitas vezes fico na dúvida se isso é realmente um sentimento verdadeiro ou resultado de uma representação teatral movida por vaidade, exibicionismo ou interesses pessoais. Procuro esperar e recorrer ao tempo, porque ele torna mais fácil a percepção do verdadeiro, pois é duradouro, enquanto a representação acaba e a realidade sempre aparece. 

Não estou desiludido e muito menos sem esperanças em um futuro melhor, mas pensativo, um pouco triste com a realidade e preocupado, pois isso acontece em todas as áreas de relacionamentos, meios de convivência e comunicações, envolvendo todas as pessoas e em todos os lugares. Muitas vezes as mesmas pessoas que dividem seu espaço, muitas vezes a sua casa e a sua mesa, com atitudes cordiais, amigas e dignas de admiração, são as mesmas que logo a seguir emitem opiniões e agem completamente opostas ao que defendem, evidenciando influências de estímulos externos ou grande comprometimento de caráter ou de personalidade. Canso de ler, ver e ouvir comentários maldosos, repassados de forma irresponsável, criando sérios problemas a outros, simplesmente porque leram ou ouviram dizer que eram verdades inquestionáveis, sem ao menos ter o cuidado de verificar a qualidade da origem e a possibilidade da falta de veracidade.
 
A democracia defende a livre expressão, mas considera que todos os cidadãos são responsáveis pelo que expressam , sendo assim devem respeitar o direito dos outros, assim como é exigido o respeito aos seus direitos. Fico pensando o que faz uma pessoa a emitir juízo sobre outros, sem base alguma, somente repassar o que não lhe trará benefício algum, mesmo sabendo que existem interesses envolvidos. Não acredito que isso seja o uso correto da liberdade de expressão, mas sim o desvirtuamento da democracia, utilizando-a como desculpa para uso incorreto em benefício próprio. Sou contra qualquer forma de censura da livre emissão de opiniões, por mais diversas e contrárias às minhas que possam ser, mas também totalmente favorável que a irresponsabilidade, seja responsabilizada quando atinge pessoas.  Muitas vezes acreditamos que para semear calúnias são necessários poderosos meios de divulgação, mas a prática disseminada do dia a dia, em conversas entre familiares, amigos, conhecidos e estranhos, camuflada de falsa ingenuidade ou de falta de consciência das consequências, é tão ou mais prejudicial.

Olhando nossa realidade em um contexto maior, o que percebemos são irresponsáveis condenações públicas, por diversas razões, por pessoas que não nutrem a mínima preocupação com as responsabilidades das Instituições e das empresas, que merecem, no mínimo, respeito e apoio.  Ignoram que atrás delas estão pessoas, trabalhos, laços familiares, amizades e difíceis conquistas. Tudo é destruído, sem considerar os esforços despendidos, os sacrifícios e as consequências, simplesmente pela missão de atender interesses. Esquecem que as Instituições são indestrutíveis e que os trabalhos, mesmo com as maiores dificuldades, ainda podem ser reconstruídos, as pessoas não. Temos consciência que as pessoas algumas vezes erram, nós erramos, somos humanos, mas nesses casos, se necessários, existe um Poder responsável por cobrar as responsabilidades de cada um. Os irresponsáveis e oportunistas fazem questão de ignorar que são eles que trazem consigo, em suas consciências, os maiores e mais graves erros. Seria prudente e inteligente que, antes de emitirem qualquer tipo de julgamento, olhassem para suas próprias consciências. Em alguns casos, cegos pela ambição e movidos por interesses, de todas as espécies, se prestam a semear o mal, se considerando formadores de opinião e defensores puros da verdade, da justiça e da honestidade, quando não passam de hipócritas e oportunistas.
 
Fica uma certeza, o tempo irá colocar cada verdade no seu lugar, mas, infelizmente, a mentira e a hipocrisia trazem muito sofrimento e deixam em seu rastro, em algumas vezes, a destruição de pessoas ou marcas indestrutíveis para sempre. Quanto maior for a oportunidade oferecida a esses hipócritas, maiores serão as consequências, mesmo que comprovada a calúnia, permanecerá sempre a incerteza da veracidade, provocada pela lembrança da irresponsabilidade feita no passado. Hoje, esse absurdo é muito mais potencializando e maiores são as consequências às pessoais e à sociedade, devido ao uso inadequado de meios de comunicação ou indiscriminado, por um lado louvável, mas também, usados de forma irresponsável por alguns, nas redes sociais na Internet. O pior, nessa realidade, é que uma mentira, de tantas vezes que é repetida, por diferentes pessoas, com falsa e teatral convicção, passa a ser aceita como verdade por uma maioria, restando sempre ao final, no mínimo, a incerteza da dúvida entre o que é verdade e o que é mentira. O único consolo é ter a certeza que essa prática retrata uma minoria execrada pela sociedade, que hoje continua ainda agindo dessa deplorável forma, mas que um dia será totalmente desmascarada, pois não tem mal que perdure para sempre.

Acredito que para haver uma real mudança, consistente e duradoura, devemos continuar ou começar primeiro em casa a praticar com nossos filhos e depois com familiares, amigos, conhecidos e em todas as oportunidades, o questionamento criterioso das informações, formais e informais, procurando gerar a discussão sobre sua procedência, sua integridade e sua veracidade, de forma a tornar mais honestas e justas nossas pequenas atitudes no dia a dia, criando uma sinergia entre as pessoas de bem e interrompendo a projeção de informações falsas, maldosas e inverídicas.

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