Muitas
vezes fico pensando até onde existe a verdade em sentimentos, quando a maioria
das reações exteriores não representam as verdades interiores. Observando diversas situações e pessoas, percebemos
que algumas vezes as reações exteriores são conduzidas pela proximidade,
visibilidade, boa educação e por um sentimento, no momento, de aparente honestidade.
Sinceramente, muitas vezes fico na dúvida se isso é realmente um sentimento
verdadeiro ou resultado de uma representação teatral movida por vaidade,
exibicionismo ou interesses pessoais. Procuro esperar e recorrer ao tempo,
porque ele torna mais fácil a percepção do verdadeiro, pois é duradouro,
enquanto a representação acaba e a realidade sempre aparece.
Não estou
desiludido e muito menos sem esperanças em um futuro melhor, mas pensativo, um
pouco triste com a realidade e preocupado, pois isso acontece em todas as áreas
de relacionamentos, meios de convivência e comunicações, envolvendo todas as
pessoas e em todos os lugares. Muitas vezes as mesmas pessoas que dividem seu
espaço, muitas vezes a sua casa e a sua mesa, com atitudes cordiais, amigas e dignas
de admiração, são as mesmas que logo a seguir emitem opiniões e agem completamente
opostas ao que defendem, evidenciando influências de estímulos externos ou grande
comprometimento de caráter ou de personalidade. Canso de ler, ver e ouvir
comentários maldosos, repassados de forma irresponsável, criando sérios problemas
a outros, simplesmente porque leram ou ouviram dizer que eram verdades
inquestionáveis, sem ao menos ter o cuidado de verificar a qualidade da origem
e a possibilidade da falta de veracidade.
A
democracia defende a livre expressão, mas considera que todos os cidadãos são
responsáveis pelo que expressam , sendo assim devem respeitar o direito dos
outros, assim como é exigido o respeito aos seus direitos. Fico pensando o que
faz uma pessoa a emitir juízo sobre outros, sem base alguma, somente repassar o
que não lhe trará benefício algum, mesmo sabendo que existem interesses envolvidos.
Não acredito que isso seja o uso correto da liberdade de expressão, mas sim o desvirtuamento
da democracia, utilizando-a como desculpa para uso incorreto em benefício
próprio. Sou contra qualquer forma de censura da livre emissão de opiniões, por
mais diversas e contrárias às minhas que possam ser, mas também totalmente favorável
que a irresponsabilidade, seja responsabilizada quando atinge pessoas. Muitas vezes acreditamos que para semear
calúnias são necessários poderosos meios de divulgação, mas a prática
disseminada do dia a dia, em conversas entre familiares, amigos, conhecidos e
estranhos, camuflada de falsa ingenuidade ou de falta de consciência das
consequências, é tão ou mais prejudicial.
Olhando
nossa realidade em um contexto maior, o que percebemos são irresponsáveis
condenações públicas, por diversas razões, por pessoas que não nutrem a mínima
preocupação com as responsabilidades das Instituições e das empresas, que merecem,
no mínimo, respeito e apoio. Ignoram que
atrás delas estão pessoas, trabalhos, laços familiares, amizades e difíceis conquistas.
Tudo é destruído, sem considerar os esforços despendidos, os sacrifícios e as
consequências, simplesmente pela missão de atender interesses. Esquecem que as Instituições
são indestrutíveis e que os trabalhos, mesmo com as maiores dificuldades, ainda
podem ser reconstruídos, as pessoas não. Temos consciência que as pessoas
algumas vezes erram, nós erramos, somos humanos, mas nesses casos, se necessários,
existe um Poder responsável por cobrar as responsabilidades de cada um. Os
irresponsáveis e oportunistas fazem questão de ignorar que são eles que trazem
consigo, em suas consciências, os maiores e mais graves erros. Seria prudente e
inteligente que, antes de emitirem qualquer tipo de julgamento, olhassem para
suas próprias consciências. Em alguns casos, cegos pela ambição e movidos por
interesses, de todas as espécies, se prestam a semear o mal, se considerando formadores
de opinião e defensores puros da verdade, da justiça e da honestidade, quando
não passam de hipócritas e oportunistas.
Fica uma
certeza, o tempo irá colocar cada verdade no seu lugar, mas, infelizmente, a mentira
e a hipocrisia trazem muito sofrimento e deixam em seu rastro, em algumas
vezes, a destruição de pessoas ou marcas indestrutíveis para sempre. Quanto
maior for a oportunidade oferecida a esses hipócritas, maiores serão as
consequências, mesmo que comprovada a calúnia, permanecerá sempre a incerteza
da veracidade, provocada pela lembrança da irresponsabilidade feita no passado.
Hoje, esse absurdo é muito mais potencializando e maiores são as consequências
às pessoais e à sociedade, devido ao uso inadequado de meios de comunicação ou indiscriminado,
por um lado louvável, mas também, usados de forma irresponsável por alguns, nas
redes sociais na Internet. O pior, nessa realidade, é que uma mentira, de
tantas vezes que é repetida, por diferentes pessoas, com falsa e teatral
convicção, passa a ser aceita como verdade por uma maioria, restando sempre ao
final, no mínimo, a incerteza da dúvida entre o que é verdade e o que é mentira.
O único consolo é ter a certeza que essa prática retrata uma minoria execrada
pela sociedade, que hoje continua ainda agindo dessa deplorável forma, mas que
um dia será totalmente desmascarada, pois não tem mal que perdure para sempre.
Acredito
que para haver uma real mudança, consistente e duradoura, devemos continuar ou começar
primeiro em casa a praticar com nossos filhos e depois com familiares, amigos, conhecidos
e em todas as oportunidades, o questionamento criterioso das informações,
formais e informais, procurando gerar a discussão sobre sua procedência, sua integridade
e sua veracidade, de forma a tornar mais honestas e justas nossas pequenas
atitudes no dia a dia, criando uma sinergia entre as pessoas de bem e interrompendo
a projeção de informações falsas, maldosas e inverídicas.
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