Ultimamente estamos percebendo declarações aparentemente cheias de
verdade, mas que se chocam ou se contradizem com nossa intuição. São afirmações
que provocam fortes impactos, mas ao mesmo tempo, a realidade mostra ser o oposto
do que a pessoa pensa ser a verdade ou escondem a verdade pela hipocrisia.
Escutamos todos os dias e em várias situações, discursos sobre justiça
social, direitos e oportunidades iguais e outras tantas coisas mais, mas
sabemos que entre o discurso e a realidade, existe, de forma consciente e velada,
um entendimento lógico de aceitação das diferenças e das dificuldades em
superá-las.
Lemos, vemos e ouvimos tanto sobre amor ao próximo e ao mesmo
tempo aceitamos omissos, como se nada pudéssemos fazer, as situações precárias e
desumanas em que vive boa parte da população, em nosso próprio país e no mundo,
onde a falta de assistência, o abandono, a fome, a sede e as doenças matam ou
segregam todos os dias.
Fala-se tanto em solidariedade no mundo, entretanto percebemos a maciça
repulsa dos países envolvidos e das pessoas, aceitarem as razões e dar guarida aos
que fogem do horror da guerra e de condições sub-humanas, deixando-os relegados
a campos de refugiados, onde passam toda série de privações e, quando conseguem
um abrigo, não são tratados com dignidade. Não precisamos ir longe, em nossas
esquinas, ruas e povoados distantes dos grandes centros, podemos constatar as
consequências do abandono e das condições precárias de sobrevivência em que
essas populações conseguem se manter vivas.
Prega-se a paz, mas se aceita pacientemente a demora na solução dos
conflitos e término de lutas armadas e guerras, ignorando a morte e o sofrimento
de tantas pessoas inocentes, sem se importar que no meio dessa desgraça haja
crianças desamparadas, que não terão nem a oportunidade de se alimentar adequadamente,
de crescer, de conhecer a convivência pacífica e de poder usufruir da alegria
de simplesmente brincar. .
Fala-se tanto em recuperar pessoas que um dia cometeram algum
delito, mas se aceita como se não existisse essa realidade, que a maioria quando
colocadas nas prisões, onde deveriam ser tratados como seres humanos e o
castigo deveria ser somente a perda da sua liberdade, também percam sua dignidade.
Escutamos todos os dias sobre o respeito aos direitos das mulheres
e das minorias e, ao mesmo tempo, convivemos com estupros e violentas agressões,
com sérias consequências para as vítimas, condenados por todos somente no
momento das ocorrências, mas esquecidas logo a seguir. Não podemos deixar de
lado os linchamentos, por incrível que possa parecer ainda realizados no século
XXI, como se os meios justificassem os fins e não houvesse Justiça no País,
sendo necessário fazer justiça com as próprias mãos, muitas vezes podendo tirar
a vida de inocentes. Muito se fala a respeito e pouco realmente se faz, como se
fosse uma realidade a ser aceita e não houvesse soluções.
Fala-se em direito à vida e ao mesmo tempo se aceita os abortos e as
execuções por pena de morte, pelas mais diversas razões, muitas vezes absurdas,
em várias partes do mundo, como se estivesse em nossas mãos o direito de
definir quem deve viver ou morrer.
Em qualquer dos pontos focados, é evidente, existem uma grande número
de pessoas que faz parte do todo como raras exceções, entretanto sempre me
questiono se o que estamos vivenciando, são paradoxos ou hipocrisias, ou as
pessoas acreditam e falam inconscientemente inverdades ou verdades não
factíveis da prática ou, realmente, estão cegas e conscientemente agindo com
hipocrisia e egoísmo.
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