segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PARADOXOS OU HIPOCRISIA E EGOÍSMO


  

Ultimamente estamos percebendo declarações aparentemente cheias de verdade, mas que se chocam ou se contradizem com nossa intuição. São afirmações que provocam fortes impactos, mas ao mesmo tempo, a realidade mostra ser o oposto do que a pessoa pensa ser a verdade ou escondem a verdade pela hipocrisia.

Escutamos todos os dias e em várias situações, discursos sobre justiça social, direitos e oportunidades iguais e outras tantas coisas mais, mas sabemos que entre o discurso e a realidade, existe, de forma consciente e velada, um entendimento lógico de aceitação das diferenças e das dificuldades em superá-las.

Lemos, vemos e ouvimos tanto sobre amor ao próximo e ao mesmo tempo aceitamos omissos, como se nada pudéssemos fazer, as situações precárias e desumanas em que vive boa parte da população, em nosso próprio país e no mundo, onde a falta de assistência, o abandono, a fome, a sede e as doenças matam ou segregam todos os dias.

Fala-se tanto em solidariedade no mundo, entretanto percebemos a maciça repulsa dos países envolvidos e das pessoas, aceitarem as razões e dar guarida aos que fogem do horror da guerra e de condições sub-humanas, deixando-os relegados a campos de refugiados, onde passam toda série de privações e, quando conseguem um abrigo, não são tratados com dignidade. Não precisamos ir longe, em nossas esquinas, ruas e povoados distantes dos grandes centros, podemos constatar as consequências do abandono e das condições precárias de sobrevivência em que essas populações conseguem se manter vivas.

Prega-se a paz, mas se aceita pacientemente a demora na solução dos conflitos e término de lutas armadas e guerras, ignorando a morte e o sofrimento de tantas pessoas inocentes, sem se importar que no meio dessa desgraça haja crianças desamparadas, que não terão nem a oportunidade de se alimentar adequadamente, de crescer, de conhecer a convivência pacífica e de poder usufruir da alegria de simplesmente brincar.   .

Fala-se tanto em recuperar pessoas que um dia cometeram algum delito, mas se aceita como se não existisse essa realidade, que a maioria quando colocadas nas prisões, onde deveriam ser tratados como seres humanos e o castigo deveria ser somente a perda da sua liberdade, também percam sua dignidade.

Escutamos todos os dias sobre o respeito aos direitos das mulheres e das minorias e, ao mesmo tempo, convivemos com estupros e violentas agressões, com sérias consequências para as vítimas, condenados por todos somente no momento das ocorrências, mas esquecidas logo a seguir. Não podemos deixar de lado os linchamentos, por incrível que possa parecer ainda realizados no século XXI, como se os meios justificassem os fins e não houvesse Justiça no País, sendo necessário fazer justiça com as próprias mãos, muitas vezes podendo tirar a vida de inocentes. Muito se fala a respeito e pouco realmente se faz, como se fosse uma realidade a ser aceita e não houvesse soluções.

Fala-se em direito à vida e ao mesmo tempo se aceita os abortos e as execuções por pena de morte, pelas mais diversas razões, muitas vezes absurdas, em várias partes do mundo, como se estivesse em nossas mãos o direito de definir quem deve viver ou morrer.

Em qualquer dos pontos focados, é evidente, existem uma grande número de pessoas que faz parte do todo como raras exceções, entretanto sempre me questiono se o que estamos vivenciando, são paradoxos ou hipocrisias, ou as pessoas acreditam e falam inconscientemente inverdades ou verdades não factíveis da prática ou, realmente, estão cegas e conscientemente agindo com hipocrisia e egoísmo.

 

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