quarta-feira, 5 de outubro de 2016

REFORMAS E LINGUAGEM DE COMUNICAÇÃO


 

Aos especialistas nos assuntos e responsáveis pela introdução de reformas na área da Educação, Previdência, Trabalho, Política e Gastos Públicos, é de se crer que não haja dúvidas sobre a importância das mudanças necessárias, entretanto a grande parte da população, quem realmente será atingida, fica alijada, sendo pouco ou mal informada a respeito.

 

Fica muito difícil querer que a população aprove qualquer mudança, principalmente pela falta de uma comunicação adequada e, ao mesmo tempo, a mercê da ação de oportunistas que se aproveitam do momento para criar confusão maior ainda. De um lado, não há uma comunicação imparcial e adequada e do outro, uma sequência de informações parciais e distorcidas, defendendo interesses outros. A discussão deveria ser exclusivamente técnica e não política, resguardando sempre a responsabilidade e o melhor à população brasileira.

 

Não consigo entender por que o problema de cada uma dessas áreas não é colocado de maneira simples e didática para que a população entenda a necessidade de haver mudanças. Nada de grandes textos e muitos dados matemáticos, mas sim um forma sucinta e clara da situação atual e futura, com e sem modificações. Se isso puder ser apresentado com pouco texto, de conteúdo objetivo e também de forma gráfica, o entendimento fica ainda mais fácil. Imagino que se parte do princípio que há um conhecimento básico na população e sabemos que não existe. Até hoje sempre foi entendido que essas informações não seriam necessárias à população, tenho a impressão que é para minimizar maiores questionamentos.

 

Basicamente o que a população brasileira precisa saber sobre as reformas nas áreas da Educação, Previdência, Trabalho, Política e Gastos Públicos é quem e como se definiu a necessidade das modificações, quais são os resultados de hoje e o que se espera para o futuro. Sem entender isso, ao menos de forma básica, fica muito difícil a aceitação pela população.

 

Poderia entrar em mais detalhes em algumas áreas, mas não me sinto confortável para fazer, entretanto acredito que qualquer reforma que se queira implantar no Brasil, deve estar baseado em resultados de uma análise lógica e responsável, primar pela igualdade, resguardar os direitos adquiridos e o futuro da população brasileira. Se cada modificação necessária vier antecedida de uma justificativa entendível e crível, com certeza, a população estará dando o apoio necessário.

 

Vendo o Brasil de hoje, a reforma que já deveria ter sido feita, é a Política, pois ela é fundamental para que se possa discutir todo o resto, já que as reformas na Educação, Trabalho, Previdência e Gastos Públicos dependem do Congresso e Senado Federal. É inadmissível que o Poder Executivo fique a mercê de negociações de interesses políticos ou conflitantes aos da Nação Brasileira, impedindo ou atrasando reformas importantíssimas para o País. As mudanças necessárias devem ser discutidas somente entre os especialistas, pois só eles tem o conhecimento e a capacidade para fazer as melhores análises específicas e, cabe aos políticos, somente solicitar esclarecimentos para um bom entendimento das suas necessidades, de forma a se munir das informações necessárias para a massificação e encontrar as melhores condições para suas implantações.

 

Para encerrar, torço para que se encontre a melhor forma e a coragem necessária para “colocar o dedo na ferida”, mas, ao mesmo tempo, acredito que enquanto houver a defesa da exceção para o tratamento de alguns poucos, do corporativismo, do entendimento que igualdade de direitos deve haver só para poucos e que os sacrifícios devem ser dos outros, não vejo como enxergar grandes mudanças significativas no Brasil. Se torna inconcebível entender e exigir que os sacrifícios sejam efetuados somente por outros, principalmente pela grande massa da população brasileira e, ao mesmo tempo, admitir tranquilamente que alguns, uma minoria, permaneçam imunes com seus privilégios crescentes e intocáveis. 

 

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