Aos especialistas nos assuntos e responsáveis
pela introdução de reformas na área da Educação, Previdência, Trabalho,
Política e Gastos Públicos, é de se crer que não haja dúvidas sobre a importância
das mudanças necessárias, entretanto a grande parte da população, quem
realmente será atingida, fica alijada, sendo pouco ou mal informada a respeito.
Fica muito difícil querer que a população
aprove qualquer mudança, principalmente pela falta de uma comunicação adequada
e, ao mesmo tempo, a mercê da ação de oportunistas que se aproveitam do momento
para criar confusão maior ainda. De um lado, não há uma comunicação imparcial e
adequada e do outro, uma sequência de informações parciais e distorcidas, defendendo
interesses outros. A discussão deveria ser exclusivamente técnica e não
política, resguardando sempre a responsabilidade e o melhor à população
brasileira.
Não consigo entender por que o problema de
cada uma dessas áreas não é colocado de maneira simples e didática para que a
população entenda a necessidade de haver mudanças. Nada de grandes textos e
muitos dados matemáticos, mas sim um forma sucinta e clara da situação atual e
futura, com e sem modificações. Se isso puder ser apresentado com pouco texto,
de conteúdo objetivo e também de forma gráfica, o entendimento fica ainda mais
fácil. Imagino que se parte do princípio que há um conhecimento básico na
população e sabemos que não existe. Até hoje sempre foi entendido que essas
informações não seriam necessárias à população, tenho a impressão que é para
minimizar maiores questionamentos.
Basicamente o que a população brasileira
precisa saber sobre as reformas nas áreas da Educação, Previdência, Trabalho,
Política e Gastos Públicos é quem e como se definiu a necessidade das
modificações, quais são os resultados de hoje e o que se espera para o futuro.
Sem entender isso, ao menos de forma básica, fica muito difícil a aceitação
pela população.
Poderia entrar em mais detalhes em algumas
áreas, mas não me sinto confortável para fazer, entretanto acredito que
qualquer reforma que se queira implantar no Brasil, deve estar baseado em
resultados de uma análise lógica e responsável, primar pela igualdade,
resguardar os direitos adquiridos e o futuro da população brasileira. Se cada
modificação necessária vier antecedida de uma justificativa entendível e
crível, com certeza, a população estará dando o apoio necessário.
Vendo o Brasil de hoje, a reforma que já
deveria ter sido feita, é a Política, pois ela é fundamental para que se possa
discutir todo o resto, já que as reformas na Educação, Trabalho, Previdência e
Gastos Públicos dependem do Congresso e Senado Federal. É inadmissível que o
Poder Executivo fique a mercê de negociações de interesses políticos ou conflitantes
aos da Nação Brasileira, impedindo ou atrasando reformas importantíssimas para
o País. As mudanças necessárias devem ser discutidas somente entre os
especialistas, pois só eles tem o conhecimento e a capacidade para fazer as melhores
análises específicas e, cabe aos políticos, somente solicitar esclarecimentos
para um bom entendimento das suas necessidades, de forma a se munir das
informações necessárias para a massificação e encontrar as melhores condições
para suas implantações.
Para encerrar, torço para que se encontre a
melhor forma e a coragem necessária para “colocar o dedo na ferida”, mas, ao
mesmo tempo, acredito que enquanto houver a defesa da exceção para o tratamento
de alguns poucos, do corporativismo, do entendimento que igualdade de direitos
deve haver só para poucos e que os sacrifícios devem ser dos outros, não vejo
como enxergar grandes mudanças significativas no Brasil. Se torna inconcebível
entender e exigir que os sacrifícios sejam efetuados somente por outros, principalmente
pela grande massa da população brasileira e, ao mesmo tempo, admitir
tranquilamente que alguns, uma minoria, permaneçam imunes com seus privilégios crescentes
e intocáveis.
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