Pensando um
pouco sobre o momento atual em nosso Brasil observamos que a grande maioria
está presa ao imobilismo, a descrença e ao sentimento de insegurança em relação
ao futuro, principalmente por não ver uma saída dessa crise econômica, política
e moral, sem mais sacrifícios, sem mais dificuldades e em curto prazo.
De um lado
a necessidade da adoção de medidas impopulares, mas importantes e necessárias
ao encontro de uma solução em médio e longo prazo. Somado a esses esforços a
carga pessoal negativa dos condutores desse processo por terem feito parte da
gestão anterior e pela forma de conquista do poder, que os deixa inseguros. Do
outro lado, a inconformidade com a forma da perda do poder, dos privilégios e a
luta feroz para reconquistá-los.
A
existência dessa clara divisão entre dois grupos antagônicos e de outros grupos
menores, comprometidos com um ou outro, dependendo do momento e de interesses, se
torna um campo fértil e propícia o aparecimento e a exploração do populismo e
da venda de sonhos e soluções milagrosas, esquecendo que se trata de uma hora
em que o civismo, a admiração à Pátria e a fidelidade ao povo brasileiro,
deveria superar qualquer outro interesse. Nesse vale tudo por poder, o bem comum
que deveria ser a única prioridade do momento, é esquecido. Hoje, mesmo que se
tente negar, todos estão comprometidos, de alguma forma, com o passado recente,
pois nas alianças nunca predominaram ideologias comuns, crenças políticas ou
visão da forma de soluções.
Nesse
momento o que mais percebemos é a desqualificação dos integrantes do grupo opositor,
por ambas as partes, e a tentativa de iniciar ou manter uma relação direta
entre a população brasileira com uma liderança, como se fosse possível alguém
sozinho fazer a gestão de um País de dimensão continental e não precisasse de
todas as instituições políticas ou corporações representativas. Se há dúvida
sobre a existência da exploração do populismo basta apenas lembrar quantas
vezes ouvimos declarações citando “povo”, “descamisados”, “oprimidos”, “excluídos”,
“existência e diferença no tratamento de classes sociais” e outras expressões abstratas
semelhantes.
Para que
haja uma solução duradoura é preciso entender que há novas demandas da
população brasileira e que se choca com vários aspectos constitucionais
vigentes. Essa realidade exige que as relações, as instituições e a
Constituição precisam ser modificadas e adequá-las à realidade atual.
A única
condição para que isso venha a acontecer é preciso inserir uma maior qualidade
no debate público proporcionando profunda análise e discussão positiva, na
busca de um consenso que possa trazer a tranquilidade e o bem estar da
população brasileira. Nesse momento esse acréscimo de qualidade no debate
público deve ser incentivado em universidades, escolas, programas de rádio e
televisão, associações, instituições e outros.
Somente
através da inserção gradativa de novas pessoas, de novas ideias que representem
as necessidades nacionais e da elevação do debate público, baseado na
honestidade e no idealismo das causas cívicas, poderão surgir novas lideranças.
Muito difícil é acreditar que lideranças já acostumadas com os privilégios
crescentes conquistados ao longo de vários anos e o entendimento reinante das
causas da desigualdade existente, possam promover uma mudança significativa em
nosso País. O Brasil precisa de novas lideranças, sem os grilhões que prendem a
interesses corporativos, a grupos político-partidários, à cegueira do fanatismo
ou às ideologias que não acreditam na eliminação total das desigualdades e que
não acredita na valorização do ser humano, o respeito mútuo e no bem comum,
acima de tudo e que todas as sociedades e nações do mundo devem alcançar.
De forma a
concluir esse texto, entendo que a classe política atual, com raras exceções,
pela vivência e prática considerada comum nos últimos anos não contribuirão
para uma significativa mudança no Brasil e, por essa razão, tenho a convicção que
precisamos de lideranças novas, desprovidas de outros interesses, que possam
servir de exemplo com suas atitudes em postos de gestão. Novos líderes que
possam tratar adequadamente as reais necessidades da população brasileira, comandando,
atraindo adeptos, aglutinando as pessoas e estimulando a participação de todos
(instituições, corporações, associações e pessoas) em debates qualificados e
construtivos de ideias conflitantes para a solução dos problemas nacionais e
que possam influenciar de forma positiva a mentalidade e o comportamento de
todos os cidadãos brasileiros.
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