sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O PODER DA IMPRENSA



 
Pensando um pouco sobre nosso dia-a-dia procurei entender as funções e responsabilidades dos órgãos de comunicação, da imprensa em geral, dos jornalistas e das mais diferentes formas de divulgar as informações, via jornais, revistas, rádios, canais de televisão e suas opções na Internet.

Acredito que os órgãos de comunicação e os jornalistas são os responsáveis para assegurar à sociedade o direito à informação com isenção e objetividade, além da veracidade intrínseca. É papel de a imprensa informar à população o que é de interesse público, ou seja, aquilo que as pessoas devem saber e não apenas somente o que elas querem saber.

Nessa linha, as notícias não podem ser distorcidas, pois os interesses empresariais, políticos ou ideológicos não devem prevalecer sobre o direito à informação verdadeira da sociedade. Para que isso aconteça é necessário garantir ao profissional de imprensa a liberdade de expressão, sem censura e com total proteção da fonte de suas informações. Em determinados momentos surge à dúvida se o jornalismo atual cumpre com esse papel de informar à sociedade ou a informação não está sendo simplesmente tratada como mercadoria ou para atender interesses próprios ou de outros.

Não penso ser utopia acreditar na imparcialidade jornalística, pois para a prática do contrário existem os editoriais e os locais próprios para os colunistas colocarem suas opiniões pessoais.

Lógico é impossível desconhecer que existem altos investimentos, principalmente públicos nas empresas de comunicação, o que dificulta de sobremaneira a publicação de informações conflitantes ao interesse do investidor, entretanto, ao longo do tempo, essa postura acaba despersonalizando e descaracterizando a empresa, caminho certo à falta de credibilidade.

Não podemos desconhecer a existência da mídia dita de fofocas, praticada por jornalistas que acreditam ser glamorosos e que se aproveitam da superficialidade de leitores e expectadores, explorando notícias muitas vezes não comprovadas, simples suspeitas, mas quando não verdadeiras são irreparáveis e provocam sérias consequências aos injustamente envolvidos. Nesses casos ou em todos os anteriores, acredito que quando a publicação de um jornalista possa prejudicar alguém, que ele pense duas vezes e se houver possibilidade de estar errado e não houver condições de comprová-la ou de se defender depois, não o faça.

Outra questão seria analisar a propriedade da forma como é feita a divulgação de detalhes de crimes violentos, hediondos de acidentes com vítimas fatais, filmados até mesmo com o uso de celulares, em horários com presença de telespectadores menores de idade e jovens, principalmente com possibilidade criar traumas ou de identificação com as características inconvenientes de vítimas e/ou agressores. Não acredito que dessa forma haja respeito à dignidade e aos valores da sociedade e da família ou, até mesmo, seja construtivo. Essas divulgações, quase sempre são realizadas em busca de audiência, coletando informações de pessoas fragilizadas (pais, mães, maridos, esposas, filhos e amigos de vitimas fatais ou mutiladas), logo após as ocorrências de crimes, acidentes, atentados ou de inocentes expostos aos horrores das guerras.

Outro ponto que merece uma análise mais profunda é a predominância de más notícias e o destaque dado a elas, com um número exagerado de comentários, passando a imagem de um mundo absurdo, quando na verdade, pela influência que exercem no comportamento das pessoas, deveriam ter somente o tempo mínimo necessário para a correta informação na programação total.

Como a mídia pode construir ou destruir, é importante que perceba sua responsabilidade com a ética, com seu papel social, seu poder e sua possibilidade de participar, significativamente, da construção de uma sociedade esclarecida, aberta, madura, mais justa e de forte espírito democrático e humanista.

Acredito que a imprensa poderia ser ainda mais útil e se preocupar um pouco mais com as carências da população brasileira, com seu bem-estar, pois infelizmente estamos vivendo uma época de total desrespeito com a dignidade da grande maioria das pessoas. A preocupação não pode ser só na divulgação das carências, mas também na exigência da busca de soluções. O que se constata é existência de poucas pessoas que se preocupam com os demais e, nessa situação, a imprensa, com isenção, objetividade e veracidade das informações, poderia ser uma grande aliada na promoção de uma significativa e pacífica mudança, pois a grande maioria, por não encontrar exemplos a seguir, não sabe o que significa decência, responsabilidade, solidariedade, civilidade e respeito mútuo. Entretanto, ao mesmo tempo, percebemos uma minoria vivendo em um mundo a parte, em uma bolha de privilégios, empenhada somente na luta pelo poder ou pela manutenção dele. Infelizmente conseguem manter-se nessa posição devido à hipocrisia da venda da possibilidade de “milagres” da criação ou multiplicação de recursos, da submissão imposta aos menos esclarecidos e da descrença da possibilidade de uma mudança dessa triste realidade, aproveitando-se da sua posição na estrutura do poder ou para alcançá-lo e da desinformação, da ignorância, da limitação cultural da grande maioria da população e do medo provocado pela insegurança do momento.



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