Pensando um
pouco sobre nosso dia-a-dia procurei entender as funções e responsabilidades
dos órgãos de comunicação, da imprensa em geral, dos jornalistas e das mais
diferentes formas de divulgar as informações, via jornais, revistas, rádios,
canais de televisão e suas opções na Internet.
Acredito
que os órgãos de comunicação e os jornalistas são os responsáveis para
assegurar à sociedade o direito à informação com isenção e objetividade, além
da veracidade intrínseca. É papel de a imprensa informar à população o que é de
interesse público, ou seja, aquilo que as pessoas devem saber e não apenas
somente o que elas querem saber.
Nessa
linha, as notícias não podem ser distorcidas, pois os interesses empresariais,
políticos ou ideológicos não devem prevalecer sobre o direito à informação
verdadeira da sociedade. Para que isso aconteça é necessário garantir ao
profissional de imprensa a liberdade de expressão, sem censura e com total
proteção da fonte de suas informações. Em determinados momentos surge à dúvida
se o jornalismo atual cumpre com esse papel de informar à sociedade ou a
informação não está sendo simplesmente tratada como mercadoria ou para atender
interesses próprios ou de outros.
Não penso
ser utopia acreditar na imparcialidade jornalística, pois para a prática do
contrário existem os editoriais e os locais próprios para os colunistas
colocarem suas opiniões pessoais.
Lógico é impossível
desconhecer que existem altos investimentos, principalmente públicos nas
empresas de comunicação, o que dificulta de sobremaneira a publicação de informações
conflitantes ao interesse do investidor, entretanto, ao longo do tempo, essa
postura acaba despersonalizando e descaracterizando a empresa, caminho certo à
falta de credibilidade.
Não podemos
desconhecer a existência da mídia dita de fofocas, praticada por jornalistas
que acreditam ser glamorosos e que se aproveitam da superficialidade de
leitores e expectadores, explorando notícias muitas vezes não comprovadas,
simples suspeitas, mas quando não verdadeiras são irreparáveis e provocam
sérias consequências aos injustamente envolvidos. Nesses casos ou em todos os
anteriores, acredito que quando a publicação de um jornalista possa prejudicar
alguém, que ele pense duas vezes e se houver possibilidade de estar errado e
não houver condições de comprová-la ou de se defender depois, não o faça.
Outra questão seria analisar a
propriedade da forma como é feita a divulgação de detalhes de crimes violentos,
hediondos de acidentes com vítimas fatais, filmados até mesmo com o uso de
celulares, em horários com presença de telespectadores menores de idade e
jovens, principalmente com possibilidade criar traumas ou de identificação com
as características inconvenientes de vítimas e/ou agressores. Não acredito que dessa
forma haja respeito à dignidade e aos valores da sociedade e da família ou, até
mesmo, seja construtivo. Essas divulgações, quase sempre são realizadas em busca
de audiência, coletando informações de pessoas fragilizadas (pais, mães,
maridos, esposas, filhos e amigos de vitimas fatais ou mutiladas), logo após as
ocorrências de crimes, acidentes, atentados ou de inocentes expostos aos
horrores das guerras.
Outro ponto que merece uma análise
mais profunda é a predominância de más notícias e o destaque dado a elas, com
um número exagerado de comentários, passando a imagem de um mundo absurdo, quando
na verdade, pela influência que exercem no comportamento das pessoas, deveriam ter
somente o tempo mínimo necessário para a correta informação na programação
total.
Como a
mídia pode construir ou destruir, é importante que perceba sua responsabilidade
com a ética, com seu papel social, seu poder e sua possibilidade de participar,
significativamente, da construção de uma sociedade esclarecida, aberta, madura,
mais justa e de forte espírito democrático e humanista.
Acredito que a imprensa poderia ser ainda mais útil e se
preocupar um pouco mais com as carências da população brasileira, com seu
bem-estar, pois infelizmente estamos vivendo uma época de total desrespeito com
a dignidade da grande maioria das pessoas. A preocupação não pode ser só na
divulgação das carências, mas também na exigência da busca de soluções. O que
se constata é existência de poucas pessoas que se preocupam com os demais e,
nessa situação, a imprensa, com isenção, objetividade e veracidade das
informações, poderia ser uma grande aliada na promoção de uma significativa
e pacífica mudança, pois a grande maioria, por não encontrar exemplos a seguir, não sabe o
que significa decência, responsabilidade, solidariedade, civilidade e respeito
mútuo. Entretanto, ao mesmo tempo, percebemos uma minoria vivendo em um mundo a
parte, em uma bolha de privilégios, empenhada somente na luta pelo poder ou
pela manutenção dele. Infelizmente conseguem manter-se nessa posição devido à
hipocrisia da venda da possibilidade de “milagres” da criação ou multiplicação
de recursos, da submissão imposta aos menos esclarecidos e da descrença da
possibilidade de uma mudança dessa triste realidade, aproveitando-se da sua
posição na estrutura do poder ou para alcançá-lo e da desinformação, da ignorância,
da limitação cultural da grande maioria da população e do medo provocado pela
insegurança do momento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário