quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O RESPEITO AOS IDOSOS


Observando o momento atual que vive o Brasil fico estarrecido com a falta de reconhecimento e o tratamento dado aos direitos legítimos e verdadeiros dos idosos. É lastimável ver que direitos adquiridos, com muitos sacrifícios por quase toda uma vida, são totalmente desrespeitados.

Não consigo entender as razões que levam legisladores, em todos os níveis, colocar fora de prioridades o pagamento de idosos, uma vez que se trata de um benefício conquistado com o cumprimento de uma série de requisitos estabelecidos. Muito menos entender como pode alguém defender que a correção do valor das aposentadorias deve ser inferior a do salário mínimo, pois ela significa a manutenção do poder aquisitivo e deveria ser igual a quem está na ativa ou “desfrutando” a aposentadoria. Essa desvinculação foi, sem sombra de dúvida, uma grande injustiça praticada pelos legisladores e inexplicavelmente aceita pela sociedade. Estranha essa aceitação sem contestação alguma, já que para alguns casos, a irredutibilidade é garantida.

Para refrescar um pouco a memória, o benefício previdenciário da aposentadoria tem o objetivo de garantir ao segurado sua manutenção e de sua família em caso de idade avançada do mesmo. Não é isso que se constata no Brasil, pois o que ocorre é exatamente o contrário.

Muita gente faz questão de ignorar a existência da Política Nacional do Idoso e, principalmente, o Estatuto do Idoso, onde são estabelecidos os direitos dos idosos e são previstas punições a quem os violarem, exatamente para dar aos idosos uma maior qualidade de vida. Não vejo ninguém bradar sobre o desrespeito existente e a falta de consideração com quem passou a maior parte da vida procurando conquistar e garantir o direito de passar os últimos dias de suas vidas em uma situação, ao menos, segura e tranquila.

A maior injustiça, que chega a beirar a insensatez, é atrasar o pagamento de idosos. O envelhecimento se desenvolve em cada idoso com grandes variações influenciadas pela saúde, nível de participação na sociedade, nível de independência e dos diferentes contextos. Existe na atualidade um ambiente com a falsa sensação de que o idoso já viveu o suficiente, que desfruta de excelente qualidade de vida, que há uma redução gradativa de suas necessidades e por essas razões deixa de ser prioridade à sociedade. Quem pensa assim desconhece totalmente a realidade brasileira. Exatamente por essa razão, muitas decisões são tomadas por quem participa de uma minoria privilegiada da sociedade que não conhece o Brasil real, a pobreza, a falta de saúde e a insegurança em relação ao amanhã. O maior desafio que penso existir é conseguir entender como essas pessoas julgam e decidem questões que envolvem a grande maioria da população e encontrem argumentos válidos para defender que um trabalhador possa viver dignamente com o valor de um Salário Mínimo. Ao colocarmos o idoso na questão, como pode ser aceito que ele possa viver com a qualidade de vida, prometida e conquistada, com menos de um Salário Mínimo, com seu poder aquisitivo sendo reduzido ano após ano e ainda ter de suportar atrasos de pagamento por não ser uma prioridade.
Fica muito difícil entender como alguns fazem questão de “esquecer” que os idosos tendem a apresentar capacidades decrescentes, em um processo de crescente vulnerabilidade, de fragilidade, de declínio funcional com o comprometimento das mudanças físicas e emocionais, que acabam resultando no comprometimento da qualidade de vida. É só observar os idosos que nos cercam e veremos manchas na pele, rugas, cabelos brancos, deficiências visuais e auditivas e outras perdas mais.
Na dificuldade atual da vida brasileira, com o índice de desemprego altíssimo, com alto nível de pobreza, quantos idosos sustentam famílias ou colaboram absorvendo parte substancial dos custos da família na vida normal. Longe da qualidade de vida prometida e conquistada ainda tem que conviver com a redução do poder aquisitivo de seus benefícios e, agora, não tendo prioridade no pagamento e vendo a sociedade ir se acostumando como sendo uma coisa normal. Não é possível aceitar isso, é como uma mentira repetida tantas vezes que acaba sendo aceita como verdade.
Os jovens de hoje não podem e não devem esquecer que serão os idosos de amanhã. Se hoje aceitam a consolidação dessa injustiça desumana, amanhã não poderão reclamar de nada, pois estão semeando agora o que irão colher no futuro.

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