segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O HOMEM E A GRANDE MAIORIA


 
Como uma das tantas gotas de água que caem com a chuva, segue o homem acompanhando a trajetória da grande maioria, muitas vezes omitindo seus valores e à sua própria natureza, apenas seguindo, sendo mais um, na manifestação impessoal dos pensamentos de pessoas que se unem sem um objetivo comum. Muitas vezes seguem sem saber ao menos as razões que os levaram aquele caminho. Não passa em suas mentes a possibilidades da existência de outras companhias e trajetórias. Na falta de consciência ou de uma visão de suas realidades, de seus valores próprios e de suas possíveis contribuições à construção da humanidade, não lhes resta outra escolha, a não ser continuarem apenas sendo mais um, seguindo os passos da grande maioria.

Quando o homem se entrega à trajetória da grande maioria, inconscientemente permanece terrivelmente preso aos pensamentos, desejos e interesses de outros, muitas vezes muito contrários aos seus. Anulados, alegres ou tristes apenas seguem, como se estivessem acorrentados a pensamentos, trajetórias e destino inexistentes, entretanto, por ser muito difícil enfrentar a grande maioria, não conseguem ter as forças necessárias para se posicionar como minoria, mesmo acreditando estar ao lado da verdade, do bem e certos.
 
À medida que o tempo passa, a grande maioria aumenta, atraindo e arrastando mais e mais gente, indiferente às injustiças, às discriminações, a quantos foram alijados ou descriminalizados e quantos ou quando outros irão também simplesmente deixar de existir. As trajetórias se multiplicam como serpentes e os seus destinos nunca serão alcançados, pois sempre serão desfeitos como nuvens de poeira.
 
Essa luta contra a corrente da grande maioria ou para melhor direcioná-la é cada vez mais difícil, principalmente pela quantidade de pessoas que prefere defendê-la a combatê-la. A tendência sempre será enfrentar menos dificuldades de aceitação, de ignorar as minorias e seguir acreditando estar no lado certo, no caminho da felicidade, fazendo parte dessa corrente insensível, entretanto, sempre procurando fugir de momentos de lucidez e de cobrança de sua consciência. Nesse estado de fuga à realidade, os pensamentos e os posicionamentos mudam como o tempo e o vento.
 
Nesse caminho inexorável ao encontro do nada, essa corrente formada pela grande maioria vai adquirindo solidez quase imbatível, se tornando cada vez mais forte e mais esmagadora. Regras de vida, de moral, de solidariedade, de compreensão, de civilidade e de humanismo vão sendo ignoradas e entendidas conforme interesses próprios. Valores servem somente para requintar palavras, opiniões e discursos, mas estão muito longe das ações e posições tomadas. É um retorno inconsciente do homem à sua vida primitiva, encarando tudo como inevitável e fazendo parte de uma realidade imutável. Isso explica a omissão frente ao sofrimento dos menos favorecidos pelas oportunidades da vida ou quando o sangue de inocentes é derramado pelo mundo.
 
Nessa trajetória vazia e sem fim, o homem acredita estar construindo um mundo, seu mundo, mas na verdade está destruindo a si e a todos os demais. Ao procurar somente sua satisfação pessoal, esquece que a vida é um encadeamento interminável de momentos e que se vive mais em função da construção do dia de amanhã do que em relação ao dia de hoje. A missão do homem, a trajetória prevista para a sua vida, é de oferecer mais e pedir menos, é de estar sempre um pouco além do ponto que se encontra e, quando simplesmente se anula e se junta à grande maioria, está limitando seu aprendizado e irremediavelmente a sua própria construção, assim como à formação da verdadeira humanidade e de um futuro melhor.

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